Todo Dia

abril 22, 2010

Todo Dia acorda todo dia.
Meio sem vergonha,
com a maior cara lavada.
Todo Dia lê o jornal do dia
e as notícias do velho,
senta-se confortavelmente e
caminha triste o dia todo.
Algum dia vai chegar.
Todo Dia vai chegar.
Mais cedo ou mais tarde, vai chegar.
Disponho-me a esperar.
Meio-dia… e meia… e nada…

Algum dia vai chegar.
Disponho-me a esperar.
O Dia em que todos os outros
serão mais felizes.

(diogo nemésio – 22.04.10 )

Planetário [Parte 2]

agosto 22, 2008

O que não era importante passa a ser,
e espero que leve contigo a escrita, o escritor.

Uni versos pra você – bem passado…
Conversando, numa praça.
Uni versos pra você – bem futuro…
Tão distante, tão distante.
Uni versos pra você – por estar…
…conservando o que sempre existiu.
Presenteando o que se vive.

Volte inteira. Digo a Deus. É amor. Dei pra ti.

(diogo nemésio – 22.08.08 )

Planetário [Parte 1]

agosto 10, 2008

Escrevo-te.
Não para que dê importância ao escrito,
mas para que te lembres de quem escreveu.

Teu mundo caiu no quintal – quase num piscar.
Deu a volta, passou pelo jardim.
Teu mundo bateu na porta – quase sem se importar
Deu a volta, passou por mim.
Teu mundo entrou na sala – quase de estar
Meia volta. Deu adeus. Era tarde. Dei por mim.

(diogo nemésio – 10.08.08 )

Inund’água

junho 1, 2008

Fiz chover, gotejar.
Um barulhinho assim,
pra você notar.
Um barulhinho assim, ó,
Um barulhinho assim.

Fiz chover, trovejar.
Um grande estrondo assim,
pra você notar.
Um grande estrondo assim, ó,
um grande estrondo assim.

Não sei se você viu. Choveu! Eu que fiz!
Eu que fiz, pra você, notas.
Belas notas pra você notar.

(diogo nemésio – 01.06.08 )

Qualquer Tempo

abril 21, 2008

Qualquer tempo se faz dia,
se faz único, quando é tempo de te ver.
Um dia apressado, que insiste em se tornar mês, ano, eterno.

Qualquer tempo se faz noite,
se faz lua, quando é tempo de lembrar.
Noite longa, que insiste em se tornar lua, cheia, nova, velha.

Um dia bom numa noite clara.
Um tempo qualquer, a qualquer tempo.
(diogo nemésio – 18.04.08 )

Sem Título

abril 21, 2008

Gritante é o medo.
Gritante e negro.
Gigante é a saudade,
que só a metade
te deixou tão longe.

(diogo nemésio… provavelmente segundo bimestre de 2007)

Um mar de indiferença domina meu amor
e faz-me ver o mundo com apenas um olho aberto.
A falta de tempo é pedra que tapa minha visão,
e não me deixa ver além.
A compaixão que outrora tinha por muitos,
é, agora, como chuva que só cai sobre um jardim: o meu.

É como raio que acerta o mesmo ponto eternamente.
O Norte apronta para o meu próximo, mas estou desnorteado.

Caminhei longas jornadas para dentro de mim,
e nunca me encontrei.

(diogo nemésio…17.10.07)

Resistência dos Olhos

agosto 21, 2007

Desisto de gostar do teu amor
que muito me prendeu.
Com todo cuidado e carinho
te coloco no bolso de uma calça a lavar.
Estou contigo, até que lavemos a roupa suja.
Depois, serás bela de outros olhos,
posta sobre púlpito iluminado e oculto,
para onde não medirei coragem em deixar de olhar.

(diogo nemésio…21.08.07)

Caravellas

agosto 20, 2007

Vocabulário é coisa efêmera,
onde o poeta encontra estrada
para a viagem sem norte, nem sorte.

(diogo nemésio…20.08.07)

Amigos

junho 18, 2007

Te fiz num tempo de memória escassa,
e aposto que não te lembras do tempo.
Ainda hoje minha mente desértica
se lembra dos traços e abraços.
Quem dera voltar ao tempo sem memória
e recordar a velha história
de valor incondicional.
Ainda te tenho, porque te fiz.
Ainda sou, porque somos.

(diogo nemésio…18.06.07)